6.1.05

R.P.A.

A rapariga da paragem de autocarro estava fantástica, o seu cabelo perfumado e liso iluminava o caminho das almas tristes e pesarosas, a pele clara como a espuma do mar incendiava de loucura a sanidade do astronauta.
Ele sentia-se como um cometa pronto a chocar contra um planeta, de se libertar em diminutos pedaços de sal para aos poucos se afundar num estado líquido de loucura inconstante, incontrolável, impossível, inconsciente e irresponsável.

Estava vestida com uma camisola laranja que embriagava seus olhos, emudeciam o seu coração com um grito profano, impuro, exagerado, imaginado o pecado, o sabor, a aventura, a malícia dos seus ternos lábios cruzando o ar impuro do ritmo da cidade no encontro da sua fantasia alegre, infiel e incompreensível.

Escrito por: "Astronauta Intrépido"